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A Câmara Municipal de Várzea Alegre realizou, nesta quarta-feira (28/01), a 2ª Sessão Ordinária do 1º Período Legislativo de 2026, sob a presidência da vereadora Menésia Simião (PT). O principal destaque do Pequeno Expediente foi o debate entre os parlamentares sobre a Operação Arquimedes, deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) e pela Polícia Civil, que investiga possível superfaturamento na aquisição de kits de matemática pela Prefeitura Municipal.
O tema foi abordado por diversos vereadores, com posicionamentos divergentes quanto à operação, à conduta do Ministério Público e às responsabilidades da gestão municipal.
Fiscalização e preocupação com os indícios
O vereador Joaquim Gabriel (PP) abriu o debate com uma análise crítica da defesa apresentada por representantes da Prefeitura. Segundo ele, a justificativa de que outros municípios compraram kits com preços similares não isenta o município de seguir os parâmetros legais de licitação, como menor preço e melhor qualidade. Joaquim também chamou atenção para o fato de que a empresa fornecedora teria sido a mesma para diferentes prefeituras, o que, segundo ele, poderia configurar conluio, conforme apontado nos indícios do MP.
O parlamentar defendeu o aprofundamento das investigações de forma técnica e independente, com garantia de ampla defesa e contraditório: "Se forem identificados culpados, que sejam responsabilizados. E, em caso de inocência, que haja a devida absolvição."
Repercussão da denúncia e diligência do MP
O vereador Michael Martins (PSB) detalhou sua atuação como denunciante do caso, destacando visita à Escola Doutor Dário Batista Moreno, onde verificou a presença de caixas de papelão no lugar das caixas de MDF com tampa e identificação gravada, conforme previsto no contrato de aquisição dos kits de matemática.
Ele apresentou trechos do relatório do MPCE que confirmam a substituição dos materiais e a inadequação no armazenamento. Segundo o documento da Promotoria de Justiça, foram encontradas 164 caixas de papelão em diferentes ambientes da escola, sem a estrutura contratada para acondicionar os jogos educativos.
"O que me deixa triste é ver vereadores bem pagos defendendo o que é indefensável e tentando desqualificar o trabalho do Ministério Público", afirmou.
Defesa da gestão e críticas à judicialização política
O vereador Alan Salviano (MDB) também se posicionou, defendendo que o processo legal deve ser respeitado e que a atuação do Ministério Público deve ocorrer com isenção. No entanto, criticou o vereador Michael Martins, afirmando que este se comporta como um "juiz político" ao antecipar julgamentos antes da conclusão das investigações.
Segundo Alan, "a gestão está de portas abertas para esclarecimentos" e reforçou que "quem não deve, não teme". Para ele, denúncias recorrentes não podem ser utilizadas como ferramenta para paralisar a administração pública.
Reconhecimento da importância da fiscalização
Outros vereadores, como Luiz do Conselho (PP) e Marcelo Fledosn (PSB), reforçaram o papel fiscalizador do Legislativo e a importância de apuração rigorosa dos fatos. Luiz destacou que a operação demonstra que a voz da Câmara está sendo ouvida. Já Marcelo alertou para a gravidade da situação e cobrou maior seriedade por parte da gestão ao lidar com recursos públicos e às críticas ao MP: "É preciso, no mínimo, um mea-culpa".
Consenso sobre o papel da Justiça
Apesar dos diferentes posicionamentos, houve consenso quanto à necessidade de que os fatos sejam apurados pelas autoridades competentes. Os parlamentares reafirmaram seu compromisso com o papel fiscalizador e com a transparência na administração pública.
Fotos: Fábio Oliveira
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